BLACKSPOT MANIFESTO

MANCHA NEGRA – Manifesto

Nossos inimigos estão a nossa frente, vulneráveis e expostos. Os orgãos vitais do nosso sistema atual, tem desligado interruptores em todo lugar.

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A METAMORFOSE GLOBAL começa com uma responsabilidade absoluta para a circulação gratuita de conhecimento e informação. Da escuridão, o que emerge é parecido com nada visto até agora.

NOSSA VITÓRIA INICIAL vai ser conquistada no mundo virtual, onde pessoas de todas as nações podem se agrupar, se reunir livremente – um domínio, um lugar onde a conexão com o enérgico, eletrificado sangue vivo e novo do amanhã, a juventude radical, permanece responsável.

UMA INTERNET LIVRE E ABERTA é o fogo que nossa geração utilizará (se apropriará, pegará) dos deuses.

NÓS USAREMOS NOSSOS NOVOS SISTEMAS CIBERNÉTICOS para votar, terminar guerras, desmontar a máquina sútil do depotismo, curar almas de uma vida inconsciente, 24/7 de insônia do capitalismo algorítmico, administrar um antídoto para todas as toxinas da informação e exterminar corporações e governos corruptos – e nós o faremos começando com um byte, um algorítimo, uma profissão, um sistema de estado, um continente por vez.

DENTRO DAS POSSIBILIDADES ELETRIFICANTES DO MANCHA NEGRA vive nossa esperança e salvação.

ANIMALIZE, ESCANDALIZE. Cause desconforto. Organize-se. Repita. Nós já começamos.


 

Original BlackSpot manifesto by Adbusters – Tradução João Ricardo

FIRST THINGS FIRST-A MANIFESTO

A Manifesto

We, the undersigned, are designers, developers, creative technologists, and multi-disciplinary communicators. We are troubled by the present state of our industry and its effects on cultures and societies across the world.

We have become part of a professional climate that:

  • prizes venture capital, profit, and scale over usefulness and resonance;
  • demands a debilitating work-life imbalance of its workers;
  • lacks critical diversity in gender, race, and age;
  • claims to solve problems but favours those of a superficial nature;
  • treats consumers’ personal information as objects to be monetised instead of as personal property to be supported and protected; and
  • refuses to address the need to reform policies affecting the jurisdiction and ownership of data.

Encouraged in these directions, we have applied ourselves toward the creation of trivial, undifferentiated apps; disposable social networks; fantastical gadgets obtainable only by the affluent; products that use emotion as a front for the sale of customer data; products that reinforce broken or dishonest forms of commerce; and insular communities that drive away potential collaborators and well-grounded leaders. Some of us have lent our expertise to initiatives that abuse the law and human rights, defeat critical systems of encryption and privacy, and put lives at risk. We have negated our professions’ potential for positive impact, and are using up our time and energy manufacturing demand for things that are redundant at best, destructive at worst.

There are pursuits more worthy of our dedication. Our abilities can benefit areas such as education, medicine, privacy and digital security, public awareness and social campaigns, journalism, information design, and humanitarian aid. They can transform our current systems of finance and commerce, and reinforce human rights and civil liberties.

It is also our responsibility as members of our industry to create positive changes within it. We must work to improve our stances on diversity, inclusion, working conditions, and employees’ mental health. Failing to address these issues should no longer be deemed acceptable by any party.

Ultimately, regardless of its area of focus or scale, our work and our mindset must take on a more ethical, critical ethos.

It is not our desire to take the fun out of life. There should always be room for entertainment, personal projects, humour, experimentation, and light-hearted use of our abilities.

Instead, we are calling for a refocusing of priorities, in favour of more lasting, democratic forms of communication. A mind shift away from profit-over-people business models and the placing of corporations before individuals, toward the exploration and production of humble, meaningful work, and beneficial cultural impact.

In 1964, and again in 1999, a dedicated group of practitioners signed their names to earlier iterations of this manifesto, forming a call to put their collective skills to worthwhile use. With the unprecedented growth of technology over the past 15 years, their message has since grown only more urgent. Today, in celebration of its 50th anniversary, we renew and expand the First Things First manifesto, with the hope of catalysing a meaningful revolution in both our industry and the world at large.

RADIOHEAD KID A-ARTWORK

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As criaturas criadas para a arte que completa o grande trabalho do Radiohead Kid A, surgem de estórias de ninar que Stanley Donwood contava para sua filha nas quais brinquedos se levantavam contra adultos e os comiam, num inocente e ao mesmo tempo macabro conto infantil. Depois desta degustação, brinquedos e crianças viviam alegres e livres das regras e censuras dos adultos que os perturbava. Os brinquedos eram os “guardiões” da infância pura e solta e viam os adultos como aqueles que amordaçavam a liberdade da relação entre brinquedos e crianças que, na verdade é tão importante para a imaginação dos pequenos quanto livros são importantes para os adultos depois de um certo tempo. É como se os brinquedos tentassem salvar a imaginação infantil das garras malvadas dos adultos, sempre sérios e estressados que não suportavam vê-las felizes dentro de seus mundos gerados pela sua mais poderosa arma contra suas dependências físicas: a imaginação.

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Os brinquedos não queriam que adultos, cheios de amarras e preconceitos, impuros de coração, adentrassem o mundo puro e livre das crianças onde eles, os brinquedos eram os protagonistas principais de contos extraordinários criados pela mente infantil, imune das impurezas de um mundo decadente.

A ideia central é o final trágico das crianças que se tornam adultos e discartam seus brinquedos que, segundo estes, tinham um elo de amizade incondicional. Pertenciam ao mesmo mundo criado pelas crianças e protagonizado pelos brinquedos que eram a parte essencial deste mundo de fantasia real. A questão é que os brinquedos acharam uma maneira macabra de se vingar da falta de consideração dos adultos com eles, pois na infância os brinquedos eram sua única escapatória do mundo ilusório (realidade) que viviam os adultos e quando as crianças cresciam e os esqueciam, eles simplesmente se rebelavam e os devoravam como uma forma de protesto, uma forma de dizer: eu sou verdadeiro e tenho sentimentos, vocês nunca vão nos usar de novo para seus prazeres temporários.

De uma inocente brincadeira de criança, Stanley Donwood consegue fazer uma crítica a sociedade que outros humanos como brinquedos. Abusam, sugam tudo o que podem dos outros e depois os descartam como chiclete sem gosto, pilhas sem carga. (Matrix?!). Um conto de fadas com um final extremo, horrendo até, mas justo: Os brinquedos ‘usados’, devorando os adultos que os abandonaram no canto do quarto, onde a faxineira não limpa, esquecidos nas sombras de uma vida repleta de sonhos agora apagados, sorrisos e memórias felizes, destruídas pelo rito de passagem tão horrendo quanto o conto em si: a criança se contaminando e se metamorfoseando em adultos secos, ocos, sem imaginação, sem brinquedos, putrificados pela sociedade e seus ‘valores’.

Enfim, depois desta leitura, voltemos ao cerne artístico do trabalho. A arte do CD KID A foi dedicada ao primeiro clone, diz seu idealizador. “Existe um senso de destruição ao longo do trabalho artístico.” A banda sempre está participando de ações humanitárias como a ‘Jubilee 2000′, uma campanha contra o fim da dívida mundial.

Existe uma metáfora no conto que pode ser vista como uma crítica ferrenha contra as ‘grandes corporações’ e suas práticas desumanas a troco de lucro a qualquer preço. Dinossauros revirando a cidade são estas corporações que desejam conquistar o mundo destruindo o mesmo (?!) ou que está no caminho, deixando nada para ninguém. (Zapatas blood – ‘everythig for everybody and nothing for ourselves’ – Rage Against the Machine protestando contra o movimento).

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