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eu sou um ser humano, acima de tudo, a impermanência, a inconstância de pensamentos que vagam a esmo no oceano profundo ilimitado. eu sou aquilo que padece, cresce e engrandesse com o passar do tempo. alegria e tristeza, passado presente futuro num único instante. eu sou o agora. a mente que liberta mas também me aprisiona em uma claustrofóbica imensidão universal sem barreiras visíveis mas sim criadas pela limitada imaginação, petrificada, cimentada realidade condicionada pela maneira doentia de pensar. sou livre numa prisão sem grades, sou medíocre e patético, grandioso e invisível. sou de dentro para fora o que não vejo. sou impalpável. sou a aura da lua vista a olho nu. sou um gravetocaído no chão de uma árvore frutífera. sou o nada o vacuo da imensidão concebida e incondicional. sou uma folha de papel em branco esperando para ser marcada. sou tudo o que é ínfimo e pleno. sou a presença do medo e da alegria, ao mesmo tempo. eu não sou aquilo que eu gostaria de ser, eu simplesmente sou……..
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timpanos bombardeados pelas ondas sonoras insípidas cheias de bactérias oriundas de salivas venenosas. cabelos caindo de uma cabeça infectada, pensamentos programados enraizados, plantados sem concentimento. a pomba voa livre desta podridão surreal que leva mentes ao suicídio intelectual. opiniões roubadas moldadas transtornadas, conquistando algo longamente perdido
fecho os olhos para não ouvir o que sinto. saio de mim divagando pelo céu nublado. escorpiões se alimentam do medo alheio. dinheiro rasgado, esquecido diluido. mãos pisoteadas num frenesi egomaníaco por botas de ferro calçadas por crianças que querem mais do mesmo, além daquilo que já foi conquistado.
vejo corpos vazios perdidos no tempo e no espaço. anormalidade incondicional irrevogavel sem sentido, tampam a visão da liberdade dos pássaros voando sem rumo. tentam sair da gaiola soldada e escondida, esquecida.
obsessão doentia calcificando meus movimentos impedem meu crescimento pessoal, petrificam meus sonhos, destroem minha ambição já soterrada pela vontade alheia da perfeição. não consigo mais respirar minha visão é ofuscada pela grama crescendo ao meu lado. me deleito com as formigas trabalhando.
a chuva cai e transforma em barro meu novo habitat. as formigas se escondem. a grama cresce
meu corpo apodrece
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nesta vasta imensidão caótica verbal, sinto a mediocridade de minha existência patética. apoético e vergonhoso devaneio estérico, ridicula deterioração inútil, vil
com a irrealidade de meus atos passivos de conteúdo perceptível, a mente não pode conceber o real, vive pelo surreal movimento de lábios automatizados, buscando o prazer digerindo animais dilacerados, putreficados dentro de estômagos famintos, entalados na garganta estreita, vomitados, consumidos e estragados, contribuindo para a autodestruição global, pessoal.
palavras escritas em folhas de papel manchadas de sangue se esvaem ao vento fúnebre frieza espelida por palavras vãs, se chocam em um movimento oscilante. ondas sonoras visíveis padecem a esmo, proporcionam uma massagem auditiva dolorida, esquecidas e mal interpretadas palavras.
cérebros corroídos com a lágrima petrificada da criança assustada.
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a inconstância de meus pensamentos, a divagação destrutiva que me assalta a cada momento vago de minha caquética permanência moribunda. quero esquecer de lembrar da minha própria condição e viver o que está a minha volta, o que sobrou, o tempo, o instante, o agora. quero me esquecer e começar um novo eu a cada segundo, quero me deixar e voar na imensidão da minha mente condicionada e limitada, meus sonhos reais e incondicionais. quero me lembrar de quem não fui, quero me esquecer daquilo que não sou, quero deixar de simplesmente não ser, cansei de não viver.
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almas perdidas num mundo esquecido, papéis rasgados caídos pelo chão. chinelos calçando pés desformes. a chuva cai molhando cabeças vazias, flores nascem de um sólo estéril. pássaros se alimentam de restos humanos, dinossauros visitam o prédio abandonado a procura de abrigo, um conforto.
olhares nulos provindos de cérebros rachados. o ar fétido entra pela janela quebrada pelas mãos da criança assustada tentando fugir da própria realidade ofuscada.
oradores discorrendo sobre vagas idéias. pensamentos vem e vão, não absorvidos. longos dias não passam de minutos, criações humanas para tornarem a sobrevivencia tolerável. palavras vagas, idéias toscas, somente lábios se movendo, músculos expostos, víceras reviradas, o desumano do humano.
o tempo sendo desperdiçado por comportamentos inúteis, barba crescendo, unhas sujas, cabelos brancos, parada cardíaca.
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faces oriundas do piso removido me olham com desespero tentando se libertar de algo que desconhecem. ponteiros de bússolas vagando a esmo. lagartos saindo da relva para se alimentarem. coelhos procriando sua própria comida, canibalismo animal.
cabelos penteados com a gosma que cai do fucinho de cães raivosos. a ardósia escorregadia escaldante queima as palmas de minha mão. laços desamarrados tropeçam o pobre velhinho. pedestres dão gargalhadas, suinos horrendos bem vestidos. pés descalços perfurados por espinhos, rosas jogadas pelo chão.
crianças brincando inocentemente no porão, trancadas na própria ilusão
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brincando com crocodilos vestidos de coelhinhos
passando por cima de ratos gigantes
vejo almas vagando pelo infinito
presas em sua própria imaginação
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faces sem expressão
me olham com emoção
deturpadas pela ilusão
soterradas pela solidão
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o tempo vaga pela imensidão de um grão de areia
viajando a esmo no olho do furacão
ofuscando a visão da criança no balanço
servindo de alimento para a sanguessuga
faminta por seu sangue
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tentando entender aquilo que a mente não pode conceber
ouvindo o ar saindo de lábios frios, vazios
pernas se movendo num vacuo poluído
por palavras completamente sem sentido
combinando letras que não vão ser entendidas
sutilmente organizadas de forma desconexa
conteúdo nulo sendo jogado a esmo
esquecido no próximo segundo. infinito
removendo as unhas sujas de meus dedos contorcidos
pelas cordas do violão empenado
papéias rasgados no chão sujo
pela mão em vão que tentam sair da solidão
pés descalço e sujos vestindo jalécos brancos
poluem um ar já fétido, necrosado
pelos lábios se movendo no vazio
tentando ser alguém, mas sem ver a si mesmo
fracas personalidades distraidas
mentes que não pensam mas reproduzem
uma cópia barata, pirata, escassa
de algo escrito por pessoas inexistentes
provenientes de um lugar falido
esquecido apodrecido corroido
pelo material organico jogado no abismo
trazidos pelos vermes banidos do paraiso
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certeza é uma palavra incerta que não pode conversar com os subterrâneos de meu inconsciente. a clareza de minha visão desfocada e paradoxa, borra as linhas focais da minha imaginação e o delírio daquilo que meus olhos presenciam. necessitando estarem abertos, muitas vezes meus olhos me pedem para serem cimentados, para nunca mais olharem o que eu não vejo mas entendo somente não olhando, observando o invisível. meu instinto que é puramente irracional acabado pela razão errônea de minha própria realidade não existente fora da mente. a insegurança de meus pensamentos não me permitem segurar um objeto. aceitar o inaceitável é vomitar o digerido, esquecer o não vivido.
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o vento soa aos meus ouvidos sujos, uma música estranha se torna conhecida. pífio e ridículo conhecimento inútil. parece algo simples, mas irreconhecível: racional irracionalidade. necessito desta contradição da ilusão robótica para identificar minha razão, que vem do fundo de meu coração. as vezes não faço sentido, nem mesmo para aquilo que acredito, mas sim para alguém diferente que vive dentro de mim. este que quer sair, mas tende a ficar, impune, imóvel, movido por amor e raiva, convivendo em uma deliciosa contraversão, me devora de dentro para fora. um vulcão esperando a erupção, um vômito borbulhando no estômago, um feto se transformando no útero, fezes se amontoando no intestino grosso, um orgasmo interrompido, um palavrão não proferido, uma ferida necrosada, todo meu sangue coagulado. mas para tudo tem uma saída, o que está dentro estará fora, como uma boneca escondida, esperando para ser encontrada, por uma criança desiludida, infância destruida.
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marco o espaço da pior maneira impossível, movimento muscular já não acompanha o pensamento irreal que vê o surreal formado pelo que é real. nada como uma letra após a outra, secular divagação, soterna e tácita maldade. o prazer. passando entre pedras e partes dilaceradas de uma terra sem dono, eu tento me esforçar para sobreviver uma vida que prefiro não viver que pertence a uma pessoal inxistente, mas definitivamente, presente. tento focar algo em mi ha frente com minhas pupilas dilatadas pelo sol que não se cansa de queimar o que sobrou de meu braço, destruido a marretadas. divago em um mar de letras, escolhendo as que acredito fazerem sentido para alguém. morto em um mar de vidas, envolto por fétidas feridas abertas, gangrenadas. a podridão levanta este corpo já caído, perdido e soterrado, simplesmente esquecido.