um lugar

entrada proibida

Tudo se encontra no meu pensamento que insiste em continuar imaginando a realidade nua e viceral do submundo da peste do mundo. O acontecer de uma ação extrema e visionaria se desfaz na superficialidade da percepção de terceiros ofuscando a possibilidade da minha evolução mental, trazendo desespero e pensamentos malignos. A cada dia que passa sem acontecer nada eu me questiono da necessidade de me levantar da cama e me expor a atos banais de conservação deste corpo que carrego sem vontade pra cima e pra baixo desta casa congelada pela raiva, por segredos bizarros que corroem a vida dos que pensam que vivem aqui. O vento gelado que está embutido dentro dos cômodos como uma nuvem de gafanhotos que não se dispersa, pode ser sentido mesmo com as janelas fechadas e o aquecedor ligado, concretizando a idéia da morte psicológica e social dos que vagam a esmo por entre estas paredes vazias e corpos sem rumo, os quais seguem mentes sem sentido perambulando por caminhos inexistentes.

A banalidade das conversas que são executadas de forma mecânica só destroem ainda mais os laços que nunca existiram, queimam as pontas dos lábios que proferem palavras tão fúteis, vazias e sem nexo. O som abafado que transmite medo atravessa as paredes e chega aos tímpanos dos indivíduos no outro aposento sem força, sem vida, como uma bola de basquete sendo arremessada por um recém nascido, como um carro sendo empurrado na subida por crianças mal nutridas. Sons que destroem ambas as partes que sobrevivem de migalhas inexistentes imaginadas por mentes vazias e podres. Esta podridão se alastra para todos os cantos do lugar deixando um rastro de maldição por onde consegue alcançar. Um ar pesado e fétido que provem das profundezas das entranhas mais grotescas da humanidade, se é que pode ser usado este termo, onde o mal prevalece e não se conhece o bem.

Pelos cantos se percebe o desespero mascarado pelo sorriso falso e amarelo que se personifica nos diálogos cinzas. Sinto uma maldição percorrendo toda a casa e devorando minha vontade de viver. Há comida não há vida. A vida não pode ser sentida e nem experimentada neste lugar inóspito e destruído por segredos vis providos de uma mente diabólica e invejosa, a qual tem como função básica castigar alguém que merece carinho. Lugar onde a peste destrói a vontade do filho de vencer e poda as possibilidades dele, assim ele não tem mais opções na vida e fique a mercê de suas vontades bestiais. Lugar onde a peste vira as costas para o próprio filho e continua tricotando e fingindo. Lugar onde a peste ri da tentativa de suicídio do filho e da desgraça que a vida se tornou para ele. Lugar onde ninguém quer ficar por mais de cinco minutos tamanha a voracidade da tristeza que paira no ar gelado e pesado, como uma formiga sendo carregada por um elefante, como um cachorro empurrando um carro. Até um animal de estimação percebe quando há algo de errado no lugar. Um cachorro quando não é bem vindo abaixa a orelha e foge. Infelizmente a percepção me depara com o submundo da maldade personificada em forma de pessoas. Falar é não fazer é pior do que não falar nada. Pensar e não agir é tão vago do que jogar futebol e não chutar a bola.

Aqui neste deserto sentimental eu tento passar meus dias ate a hora de sair andando simplesmente sem rumo, a esmo, guiado pela minha mente vazia e desprovida de desejos.

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