Campanha associa vício com sexo horal

Os responsáveis pela polêmica campanha antitabagista francesa que associa o vício do cigarro com sexo oral anunciaram nesta quinta-feira que desistiram da iniciativa.

A Associação Direitos dos Não Fumantes (DNF) afirmou por meio de um comunicado que a campanha com as imagens “será limitada a ações muito pontuais, já realizadas ou lançadas”, segundo o jornal Le Parisien.

A DNF disse que tomou a decisão “para não alimentar ainda mais a polêmica”.

Um dos objetivos da campanha, o de estimular o debate sobre o tema do cigarro, já teria sido alcançado, segundo os organizadores.

Sexismo

Associações ligadas à família, aos direitos das crianças e feministas se disseram escandalizadas com a associação feita pela campanha, que tinha como slogan “Fumar é ser escravo do tabaco”.

“A felação é o símbolo perfeito da submissão”, disse Marco de la Fuente, vice-presidente da agência BDDP, que idealizou a campanha antifumo.

Mas para Christiane Terry, representante da Associação Famílias da França, misturar o vício do fumo e o sexo “é um atalho ridículo e escandaloso”. Ela se disse preocupada “com o baixo nível para defender uma causa justa”.

“Que eu saiba, uma felação não provoca câncer”, disse em entrevista ao jornal Le Parisien Antoinette Fouque, fundadora do Movimento para a Liberação das Mulheres.

“É escandaloso associar o vício do fumo à sexualidade, fazer um paralelo entre uma droga nociva e o desejo sexual. A conotação de violência sexual é inadmissível. É uma campanha sexista”, afirmou Florence Montreynaud, presidente da associação feminista Chiennes de Garde.

Mesmo autoridades da luta contra o tabagismo criticaram a campanha.

Bertrand Dautzenberg, presidente do Escritório Francês de Prevenção contra o Tabagismo, disse que ela iria “chocar os adultos” e não “causar medo aos jovens”.

Segundo o Escritório Francês de Prevenção contra o Tabagismo, o índice de adolescentes fumantes na França aumentou, entre 2008 e 2009, de 5% para 8% na faixa etária de 14 anos e de 20% para 22% no caso de jovens de 17 anos

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