Mostra Visionários, Audiovisual na América Latina

Autor: Julia Nassif

Com inicio em agosto de 2008, na cidade de São Paulo, Brasil, a Mostra busca mapear a cinematografia experimental contemporânea nos diversos países, e do mesmo modo apresentá-las ao público latino-americano.Organizada pelo Instituto Itaú Cultural, a Mostra, itinerante, apresenta a produção cinematográfica experimental de países da América do Sul, México Caribe e América Central.

Foram 73 obras selecionadas pelo curador Arlindo Machado com ajuda de Elias Levin Rojo, Jorge La Ferla, Marta Lucía Vélez y Roberto Moreira S. Cruz, muitos delas inéditas e voltadas também às questões sociopolíticas dos países que representam.

As obras são mostradas em diferentes panoramas, escolhidos pelos curadores:

Arlindo Machado preparou uma exposição histórica, em dois programas, com filmes importantes para o desenvolvimento do cinema e do vídeo experimentais na América Latina. São: ‘Paradigmas do Experimental’ – com filmes que tenham novas propostas de temas e estilos realizados em formatos pouco comuns, deixando de lado os estereótipos do mercado audiovisual; ‘Paradigmas da Latinidade’ – produtos audiovisuais que repensam a historia, identidade e cultura latino-americana fora da visão colonialista do ‘exotismo’.

A programação proposta por Elias Levin Rojo, ‘No Zapping’, é uma seleção de filmes do México, América Central e Caribe que sejam marcados pela lentidão, exigindo assim maior envolvimento de quem o assiste, maior comprometimento do público e da relação filme-espectador.

Elias Levin Rojo também foi responsável pela seleção ‘Outras Convergências’, explorando diferentes tecnologias e formas de discursos e a convergência entre o público e o realizador da obra. Também dedicada a filmes realizados em México, América Central e Caribe.

Da seleção de Elias Levin Rojo um interessante filme é ‘Juegos en el Parque’ de Jorge Alban, diretor costarriquenho. O filme, simulando um videogame, mostra através do diálogo de duas amigas, ao mesmo tempo a inocência presente e a capacidade de se divertirem matando. Permite um amplo debate a respeito do tempo virtual e da exploração da violência disfarçado como atrativo para o entretenimento.

Os panoramas dedicados aos filmes de Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai foram selecionado por Jorge La Ferla. ‘Relatos na Fronteira’ mostra as histórias que geram diferentes interpretações por um passado ou um presente atemporal, explorando a relação entre o vídeo e outros meios audiovisuais. ‘Máquinas e Imaginários’ trata sobre filmes em que o campo pessoal é associado a sua relação com o meio, como temáticas políticas ou diários íntimos, como auto-referencia de seus autores e dos meios tecnológicos utilizados.

Um dos filmes da seleção de Jorge La Ferla é ‘Hamaca Paraguaya’, de Paz Encina, que com uma câmera lenta em plano geral, mostram a espera de mãe e pai pelo filho que foi para a guerra. A grande importância desse filme é pelo fato de que é o único da mostra apresentada na língua local, o guarani.

Marta Lucía Vélez foi a curadora da seleção de filmes de Cuba, Equador, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela. ‘Estados Alterados’ trata de filmes de pronunciamento de ordem político, social ou histórica, potencializadas pela localização territorial de suas concepções.

Um dos filmes apresentados é ‘Los Rebeldes Del Sur’, do colombiano Wilson Diaz, sobre duas obras musicais compostas no projeto musical ‘Los Rebeldes del Sur’ do grupo guerrilheiro Farc.

Outra grande eleição da curadora é ‘El Síndrome de la Sospecha’, de Lázaro Saavedra, que apresenta uma parodia sobre a vigilância, exercida pelos cubanos sobre os próprios compatriotas, em conseqüência ou para a manutenção do funcionamento do sistema social da ilha.

Marta Lucía também é responsável pelo panorama ‘De Domínio Público’, para obras que ultrapassam o limite local do discurso, de caráter mais sociológico e valor para a sociedade atual.

No Brasil a seleção foi feita por Roberto Moreira S. Cruz, denominada ‘Trópicos Audiovisuais’, com filmes que retratam a produção contemporânea de videoarte, sem uma tendência dominante e sem uma uniformidade de estilos.

‘Várzea’, de Ricardo Iazzetta e Estúdios BijaRi é uma obra de videodança que explora a ocupação do espaço público tendo como palco a cidade de São Paulo.

Na seleção é possível acompanhar grandes idéias conceituais ao lado de pequenas produções criativamente caseiras como o filme ‘Tá como o diabo gosta’, do grupo Re:combo, de autoria de Silvério Pessoa, que mostra a bebedeira de um rapaz influenciada pelo diabo em um carnaval de rua no Recife.

A mostra segue recorrendo os países participantes até o final de 2009. A programação, os textos explicativos e todo o conceito do festival podem ser encontrados no site, em português, espanhol ou inglês.

http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2827

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