Nota

reFLEXÃO

Qualquer reflexão aprisiona na superfície que reflete. Assim, se o um se torna capturado. Uma vez refletido, se torna imagem, algo inanimado, sem vida, superficial. Apenas uma ilusão de ótica que ofusca a vida e se perde na imensidão dos signos e significados, incoerentes, infinitos.

Eternamente tenta se libertar da masmorra em que se aprisionou. Superficialidade degenerativa do ser que se torna automaticamenteparecer, aparecer, padece no ver e não quer rever. Uma vez foi o que agora não é. A reflexão vazia de conteúdo é substituída por uma superfície oca, fútil que acredita ser mas já não é desde que escolheu ser refletida, a imagem se dissipa por entre as auréolas distraídas, entre a vacuidade das pupilas dilatadas; colapso, estranhamento do normal.

Tudo então se transforma em miragem, miríades ilusionárias, sórdidas realidades superficiais que não se cansam de tentar me dizer aquilo que não quero ouvir, de ver aquilo que não quero ver, apenas uma reflexão grotesca do real.

Em uma maldição me encontro, preso dentro do objeto que reflete a minha agora desfigurada imagem, desforme e estranha a meus olhos sou e me fiz por escolher. Absurdos que pareciam me levar a um lugar comum.

Fugir agora já não posso, não consigo e por fim não quero pois não posso mais escapar de quem eu sou. Só posso agora me transformar naquilo que um dia eu fui e sou mas nunca ser aquilo que não fui e quero ser.

Só quero outra vez ser.

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