A arte de Rémy Amezcua

A primeira vez que tive contato com o trabalho do fotógrafo mexicano Rémy Amezcua foi através de seus experimentos com polaroides. Seu trabalho meticuloso e ao mesmo tempo espalhafatório me chamou a atenção pela essência experimental mesmo de suas obras. A série de ‘pinturas’ sobre polaroides foi a meu ver muito feliz e as cores saltam da tela do computador.

O que Rémy Amezcua tem feito até o dia de hoje é ‘tomar controle’ das texturas que faz sobre as fotos, já que o artista só tem mesmo controle nesta parte do processo pois o resto do ‘fazer artístico’, a plasticidade fica por conta da máquina, no caso uma câmera de polaroides O processo é totalmente acidental e o artista pode somente pressentir o que vai acontecer ou seja ele não tem certeza das cores que o experimento vai dar às suas peças pois ele está expondo os negativos a luz e através da sua percepção e intuição pode então presumir quanto e como parar a exposição dos negativos do filme a luz. Tudo acontece por ‘chance’. Um ato totalmente randômico e aleatório que pode trazer qualquer resultado menos o que é realmente esperado. Este ato é antagônico ao processo fotográfico onde o fotógrafo normalmente tem o ‘controle’ de todo o processo, sabe o que quer e como quer que a foto ou o projeto seja finalizado.

Foi por esta razão, pelo caráter aleatório que me interessei por seus trabalhos e me deparei também com ‘Evidence Collages’. Eu aprecio muito materiais recolhidos. Eu também tinha essa ‘mania’ de ‘recolher’ algum material por onde passei para depois lembrar do momento de alguma maneira ou de outra. Com o passar do tempo eu não tinha mais onde colocar os objetos e com as mudanças estas ‘estórias’ foram desaparecendo aos poucos até serem jogados fora completamente.

Como uma criança se aventurando na floresta deixando marcas por onde passa para não se perder pela vasta imensidão da penumbra florestal, o artista pega aquilo que o interessa, por mais insignificante que possa parecer, tudo é memória, tudo tem uma estória, uma marca, um pensamento por trás. Só presta o que é aparentemente resto.

Este trabalho funciona como evidencias do caminho ou lugar onde esteve. O processo é bem simples mas o contexto, a ideia é muito impactante. As colagens aparentemente infantis para o olho destreinado são na verdade um catálogo de elementos que para muitos pode ser tratado como lixo mas para Rémy Amezcua se trata de elementos artísticos que relatam sua trajetória, suas experiências, desalentos, memórias, elementos e aventuras pelo tempo que passou em Los Angeles. Caso não fossem recolhidos ou armazenados de alguma maneira, o artista se sentiria num conto sem começo, meio e fim, num filme sem sentido, como uma música sem sons, uma camisa sem botão, um dedo sem unha ou um ouvido sem tímpanos.  

Mais informações e outras imagens podem ser encontradas no site:

http://www.1500gallery.com/

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