SIMPLICIDADE E VIDA

 

Simplicidade normalmente é considerada como uma expressão externa do indivíduo, como possuir poucas coisas usar roupas de marcas não conhecidas, peças falsificadas e compradas em lugares que incitão a pirataria (que em alguns casos não é um mal negócio!), ser financeiramente extravagante, ter uma ima imagem de ostentação, em alguns casos grosseira e sem noção do ridículo….enfim parecer simples não é tão difícil, na verdade é fácil e muito mais barato do que parecer uma pessoa da “alta sociedade” (se é que existe algo parecido).

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Todos estes conceitos relacionados com o “aparecer” baseado no externo que para muitos significa simplicidade é falso e superficial. O conceito mais importante e, provavelmente mais profundo e questionado, vem do uso da inteligência para pretender, desejar ser “simples”, não se conformar com normas impostas ou julgamento pré-fabricados, o conceito de simplicidade é complexo e começa, antes de todo o caminho a ser percorrido avidamente por aquele que aspira por alcançar um estado de paz e autorrealização, com um profundo processo de autoconhecimento, e não um mero ajustamento a um padrão particular externo que demonstra um conceito de ostentação fútil e superficial.

A simplicidade autêntica só pode vir do interior. Para isso começar a acontecer, é necessário nos desprendermos de nossos desejos internos inúteis, voltados para o externo, para o “aparecer”, desejos estes incitados pela sociedade consumista e capitalista que preza pelo externo pois se encontra oca no momento, a mercê de algo maior que está por vir, sociedade esta que vive na superficialidade da ostentação, do aparecer sem ser, como bonecos vestidos de Dolce Gabana sendo manipulados por ventrículos antenados para o que pode fazê-los mais ricos, trazê-los mais lucros, e uma das formas mais fáceis de fazer isso é através da mensagem subliminar, da lavagem cerebral quase imperceptível pois vem vestida de mulher fatal, desejável e irresistível. É quase um apelo sexual está forma de incutir uma ideia na cabeça de pessoas que estão perdidas, que vagão na direção do vento soprado por aqueles que estão no andar de cima.

“Nunca poderemos encontrar a simplicidade autêntica a menos que intimamente sejamos livres.”

Nossa mente está a mercê das mensagens subliminares, invisivelmente incisivas e altamente manipulativas, forçada a se apegar a uma crença, seja ela qual for. O desprendimento da mente destas crenças, amarras, julgamentos, jaulas, nichos, adjetivos que nos são atribuídos, rótulos, tudo isso eleva a mente ao caminho da liberdade através do questionamento, das perguntas que devem sempre serem feitas.

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Não há como desprezar esta condição da exteriorização do indivíduo social, mas há como contestá-la. Pelo entendimento desta condição e da interiorização, da investigação das complexidades íntimas do ser que nos tornamos livres e sensíveis, que começamos o processo mais poderoso que existe: a percepção e o questionamento.

A simplicidade começa a aparecer quando não queremos ser alguém, quando nossa compulsão nos leva a ter algo de qualquer forma. A verdadeira liberdade é muito difícil de ser compreendida, muito mais complexa de ser explicada ou interiorizada, mas ao mesmo tempo significa ser “ninguém” , neste mundo ou em qualquer outro.

A vacuidade da mente, aquela que não deseja, não julga, não se prende a dogmas religiosos ou rótulos superficiais, está preparada a ser simples. A simplicidade é a nova “celebridade” pois eleva a mente a um estado de eterna liberdade, e isto não tem preço. Não pode ser colocado em palavras seus benefícios. Ser simplesmente livre. Desapegado completamente de tudo que nos prende sem mesmo sabermos ou percebermos.

Tornar-se aquilo que você é (Nietzsche) e não buscar no exterior ser uma camiseta de marca. Nada contra quem dá valor, mas o proposito que estamos abordando aqui é outro. Vai além de escolhas e gostos por roupas ou sapatos. É um conceito, uma ideia, um guia para o caminho da simplicidade verdadeira que só pode existir com a ausência do “EU”. O ego proíbe a liberdade de ser alcançada, prende a mente a sujeitos e predicados, a crenças e ideias mundanas que só servem para aprisionar ainda mais o indivíduo, controlar e manipular ainda mais estas pessoas que simplesmente deixaram de questionar pois isso se tornou complicado e difícil, o próprio pensar construtivo é uma condição em extinção.

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O EU deverá estar presente enquanto subsistir positiva ou negativamente o desejo de ser alguém; mas este desejo tem que gerar complexidade e confusão. Este é o efeito do questionamento funcional e construtivo: produzir, mudar, libertar. Assim o EU estará ausente e não se identificará com coisa alguma, nem com a nação nem com um grupo em particular, nem com uma ideologia, nem com um dogma religioso.

O EU será aquilo que realmente É. Para isso acontecer, deve haver um mergulho no abissal da mente, e este mergulho é aterrorizante para a maioria das pessoas pois pode revelar uma realidade totalmente alienígena aquela que sempre foi vista como “normal”.

Simplicidade não é o desprezo a si mesmo mas sim a descoberta de si mesmo.

O reino de Deus não vem com observâncias (externas ou rituais), nem se pode dizer: ei-lo aqui, ei-lo acolá! – o reino de Deus está dentro de vós. (Humberto Rohden- Novos rumos para a educação)

Resenha do artigo de OJAI de 1949. Autor João Ricardo. Imagens Google.

 

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