RADIOHEAD KID A-ARTWORK

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As criaturas criadas para a arte que completa o grande trabalho do Radiohead Kid A, surgem de estórias de ninar que Stanley Donwood contava para sua filha nas quais brinquedos se levantavam contra adultos e os comiam, num inocente e ao mesmo tempo macabro conto infantil. Depois desta degustação, brinquedos e crianças viviam alegres e livres das regras e censuras dos adultos que os perturbava. Os brinquedos eram os “guardiões” da infância pura e solta e viam os adultos como aqueles que amordaçavam a liberdade da relação entre brinquedos e crianças que, na verdade é tão importante para a imaginação dos pequenos quanto livros são importantes para os adultos depois de um certo tempo. É como se os brinquedos tentassem salvar a imaginação infantil das garras malvadas dos adultos, sempre sérios e estressados que não suportavam vê-las felizes dentro de seus mundos gerados pela sua mais poderosa arma contra suas dependências físicas: a imaginação.

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Os brinquedos não queriam que adultos, cheios de amarras e preconceitos, impuros de coração, adentrassem o mundo puro e livre das crianças onde eles, os brinquedos eram os protagonistas principais de contos extraordinários criados pela mente infantil, imune das impurezas de um mundo decadente.

A ideia central é o final trágico das crianças que se tornam adultos e discartam seus brinquedos que, segundo estes, tinham um elo de amizade incondicional. Pertenciam ao mesmo mundo criado pelas crianças e protagonizado pelos brinquedos que eram a parte essencial deste mundo de fantasia real. A questão é que os brinquedos acharam uma maneira macabra de se vingar da falta de consideração dos adultos com eles, pois na infância os brinquedos eram sua única escapatória do mundo ilusório (realidade) que viviam os adultos e quando as crianças cresciam e os esqueciam, eles simplesmente se rebelavam e os devoravam como uma forma de protesto, uma forma de dizer: eu sou verdadeiro e tenho sentimentos, vocês nunca vão nos usar de novo para seus prazeres temporários.

De uma inocente brincadeira de criança, Stanley Donwood consegue fazer uma crítica a sociedade que outros humanos como brinquedos. Abusam, sugam tudo o que podem dos outros e depois os descartam como chiclete sem gosto, pilhas sem carga. (Matrix?!). Um conto de fadas com um final extremo, horrendo até, mas justo: Os brinquedos ‘usados’, devorando os adultos que os abandonaram no canto do quarto, onde a faxineira não limpa, esquecidos nas sombras de uma vida repleta de sonhos agora apagados, sorrisos e memórias felizes, destruídas pelo rito de passagem tão horrendo quanto o conto em si: a criança se contaminando e se metamorfoseando em adultos secos, ocos, sem imaginação, sem brinquedos, putrificados pela sociedade e seus ‘valores’.

Enfim, depois desta leitura, voltemos ao cerne artístico do trabalho. A arte do CD KID A foi dedicada ao primeiro clone, diz seu idealizador. “Existe um senso de destruição ao longo do trabalho artístico.” A banda sempre está participando de ações humanitárias como a ‘Jubilee 2000’, uma campanha contra o fim da dívida mundial.

Existe uma metáfora no conto que pode ser vista como uma crítica ferrenha contra as ‘grandes corporações’ e suas práticas desumanas a troco de lucro a qualquer preço. Dinossauros revirando a cidade são estas corporações que desejam conquistar o mundo destruindo o mesmo (?!) ou que está no caminho, deixando nada para ninguém. (Zapatas blood – ‘everythig for everybody and nothing for ourselves’ – Rage Against the Machine protestando contra o movimento).

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