REMIXAR O REMIXADO

A arte de remixar o remixado, geralmente usada nas mais diversas áreas das artes contemporâneas, pode ser vista explicitamente sem nenhum pudor moral ou estético, sem censura, beirando a pornografia escrachada. Remixando, para alguém envolvido em algum tipo de fazer artístico criar algo puramente novo, sem precedentes recentes ou históricos, é um ato divino, senão extraterreno.

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O remix seria, em poucas palavras, um conceito antigo que consiste na junção, na justaposição de elementos de naturezas diversas para um fim comum. Remixar o remixado, vem sendo feito há milênios, partindo do principio que todo ato humano seja levado em conta, como por exemplo usar um palito de fósforo, uma bala, um relógio, um cigarro e um pouco de pólvora para construir uma bomba caseira. Fãs do seriado ‘Magaiver’ da TV americana da década de 80 (eu estou incluso nesta lista), sabem muito bem do que estou falando. 

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Esta característica é muito bem explicada na frase ‘jeitinho brasileiro’. Um pedaço de papel aqui, uma cola ali, um grampo aqui outro pedaço de madeira ali e pronto. Usando a ideia do remix  misturado com muita criatividade, pessoas sem recursos (eu incluso aqui outra vez) conseguem chegar ao seu objetivo, seja ele uma música ou um carrinho de brinquedo.

É claro que muitas peças ou as chamadas de ‘artes contemporâneas’ inovativas e visceralmente novas possam ter aparecido por algum canto deste planeta. É fato. Mas sempre tem aquela pessoa que vai colocar barreiras para que este ou aquele trabalho não saia do porão onde foi concebido ou simplesmente vai ‘emprestar’ a ideia e comercializá-la através de outro artista, remixá-la e transformá-la em algo que não é seu por natureza. Exemplos não faltam. Não só no campo artístico como em qualquer outra área que envolva status, prestígio, egos, e múltiplos zeros na conta bancaria das pessoas envolvidas no processo.

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A célebre frase ‘Nada se cria tudo se copia’ ou ‘Grandes artistas emprestam, artistas brilhantes roubam’ faz com que qualquer tipo de criação se torne uma mera reprodução mascarada de uma forma ou de outra. Sim, dificilmente algo embrionariamente novo será criado nos dias de hoje. A grande questão é: E daí?! Uma produção artística, ou seja ela qual for, não precisa ser ‘nova’ para ter qualidade. A funcionalidade do que está sendo produzido neste exato momento, seja na tecnologia, seja na arte, seja na indústria têxtil, não passa de adequações para a inclusão das mesmas na sociedade contemporânea, para o deleite das massas.

Na área tecnológica vemos avanços constantes que praticamente não mudam em nada a funcionalidade dos produtos. Só trocam de roupa como uma pessoa que se veste diferentemente dependendo da ocasião. Não há nada de errado com isso. Talvez a visão geral seja simplesmente continuar produzindo algo ‘novo’ para as pessoas poderem falar a respeito e principalmente, comprarem.

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Então o remix pode ser considerado como um trabalho sistemático revisto e refeito infinitas vezes. Seria o começo do processo que já estava em andamento, que vem de outra área, de outro universo. O começo de algum processo é invisível, imperceptível, não há como ser rastreado, nem com GPS muito menos com o Google Earth, devido seus infinitos começos e recomeços, suas fontes primárias diversas, estas já alteradas e remixadas de alguma maneira. O remix faz universos distantes colidirem, pessoas dos mais diversos cantos do planeta, etnias, credos, raças, classes se encontrem sem mesmo saberem da existência um do outro, puramente através de sua prática, de seu trabalho, de sua criação remixada.

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O contexto do remix pode ser notado em praticamente em todas as áreas. Está ao seu redor neste exato momento. Só basta olhar, perceber e querer aceitar. Esta ideia vai continuar por anos, décadas, séculos e milênios. Tirar um objeto de seu habitat natural e trazê-lo para outra realidade é uma pratica artística recorrente, cíclica e infinita. O que pode e deve ser mudado é a percepção do sujeito em relação ao objeto. O sentimento humano, a educação sensorial, a voracidade por novidades vinda do sujeito, vai definir o que vale a pena ser admirado e o que deve ser descartado. O que for descartado será, mais cedo do que mais tarde, reciclado, remixado por outra pessoa, num ciclo sem começo, sem fim. O produto final não é de maneira alguma o fim em si mesmo mas o começo de uma experiência sensorial que durará enquanto o sujeito estiver focado no objeto, no remixado.

Remixado do texto: What comes after remix de Lev manovitch (2007)

MAEDA&MEDIA

Colocado no pódio das ’21 pessoas mais importantes do século 21′ pela revista Esquire pela sua contribuição para a cultura visual contemporânea, John Maeda tem como missão proporcionar uma relação fidedigna entre ciência da computação e as artes gráficas.

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Com sua fixação pelo poder artístico único e incomparável que as mais diversas linguagens de programação podem proporcionar ao ‘artista’ e sua convicção substancial e realística de que o computador não é só uma ferramenta mas um poderoso meio de criação artística que pode ser usado de maneira alternativa, não só seguindo parâmetros preestabelecidos por softwares, mas por linhas de código que podem proporcionar uma plasticidade final sem precedentes, altamente criativa.

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John Maeda produziu e vem produzindo uma linguagem artística única, rica e visualmente excitante que está situada na fronteira plástica entre a pintura abstrata, artes gráficas e a ‘escultura’ feita a mão através da codificação e manipulação de comandos disponíveis pelo computador, sem tocar em qualquer material senão o teclado que, no caso, seria a ponte entre sua imaginação visual e a produção artística.

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As implicações práticas de sue trabalho são, de alguma forma, revolucionárias, mesmo nos dias de hoje, com toda a tecnologia a disposição de qualquer pessoa com o real e verdadeiro interesse em artes visuais e multimídia. Maeda identificou a magnitude da diversidade de maneiras que uma peça pode ser finalizada através de processos que vão além de meras técnicas apuradas de algum meio ou de outro. Ele trouxe à tona as infinitas maneiras que o impulso criativo humano pode ser capturado pelas mais avançadas tecnologias disponíveis e outras que podem ser simplesmente criadas por pessoas interessadas em experimentar, pesquisar, buscar novas e intrigantes maneiras plásticas de visualizar suas ideias.

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Uma exploração de ideias, formas gráficas e uma vasta experiência e experimentação que levou praticamente uma década para ser finalmente ‘controlada’, coletada no livro ‘Maeda@Media’ é a primeira publicação que apresenta a infinita produção artística de John Maeda. Este livro revela e direciona os holofotes para a filosofia e prática por trás de sua experiência. Nos coloca no ponto de início de sua infância como filho de um artesão, que fazia Tofu até seus estudos em computação no Massachusetts Institute of Technology, o seu descobrimento, importantíssimo para sua carreira, do Designer americano Paul Rand que o fez voltar para suas raízes e estudar arte no Japão.

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PARQUERAMA GRAPHIC DESIGN STUDIO

With a degree in Graphic Design from the University of Buenos Aires, Matias Vigliano is a part of Doma Collective (DOMA) from its beginnings back in 1998, when the group filled the streets with ironic publicity campaigns, stencils and urban projections.

After 6 years of giving classes in the same University he studied and having worked for agencies and studios in Argentina, he migrated to the US where he carried out projects for clients such as MTV, Disney Channel, VH1, Discovery Channel, mun2, Sony AXN, NBC, Nickelodeon and Fox among other networks, directing, producing and animating spots that have earned awards at Promax BDA Latin and International among other festivals. As a member of Doma he held art exhibitions and installations in cities as Berlin, New York, Los Angeles, Portland, Montreal, Barcelona and Buenos Aires, also giving conferences and dictating workshops around the world.

Para saber mais, PARQUERAMA