INOCÊNCIA E COMPREENSÃO

Olhar o mundo como se fosse a primeira vez é muito importante para começar a re-interpretar nossos pensamentos já existentes. Neste caso, a inocência, o olhar inocente, infantil, puro, ajuda porque é livre de pré-conceitos que podem inibir a visualização da verdadeira realidade que revela a beleza real do mundo.

  • Olhar para “o que É ao invés de divagar sobre algo baseado em pré julgamentos imutáveis.

A mente “adulta” deve descobrir uma maneira de saber quando usar a inocência para olhar alguma situação e assim criar o hábito de transformar o pensamento (julgamentos pré-estabelecidos que ofuscam a real beleza do mundo – a beleza que liberta).

negro

As conclusões devem ser sempre baseadas naquilo que É, sem inclinações ou tendências antigas de olhar, normalmente guiado pelas circunstancias do presente momento.

Não importa o que aconteceu e muito menos ainda o que ainda não aconteceu, o que realmente importa é o presente momento.

  • O medo corrompe a inocência do olhar e impede novas maneiras de pensar e estaguina a mente.

O “homem total” não se deixa levar pelo sentimentalismo barato que é amplamente visto nos discursos manipuladores de pessoas que se auto-intitulam “inteligentes”, com suas ilusões, visões deviantes e ideias surreais.

Este “homem total” é aquele “espiritualizado”, não corrompido e lúcido – sua mente passa a ser tranquila, sã, racional e lógica. Esta característica ajuda o homem a “entender” e “aprender” a lidar com as dificuldades – vendo as situações como elas SÃO,  geram respostas funcionais e construtivas quando pratica o olhar inocente, puro.

O sentimentalismo pode atrapalhar o gerenciamento dos pensamentos (o amor é burro !) e criar uma mente condicionada, unilateral, unidimensional.

bebe com sabão

Uma prática interessante é procurar saber que a dor física é inevitavel, mas o sofrimento é invariavelmente opcional, eu escolho sofrer por continuar pensando da mesma maneira, ignorando a evolução, o tempo que passa e arrasta as barreiras da compreensão, das ideias.

É necessário uma avaliação mental constante dos pensamentos, das memórias enraizadas e conceituadas que podem ser mudadas, sempre procurando melhorar e simplificar o entender. Solucionar “problemas” não é suficiente, mas criar novas maneiras para fazer ou lidar com o velho, o que significa simplesmente evoluir.

  • A vida em geral é feita de ciclos. É importante saber que nada no universo interiro, até mesmo o próprio universo em si, está estático, parado. Tudo está em constante movimento numa eterna “metamorfose ambulante” contínua.

O medo pode se tornar uma eterna amarra que impede a caminhada rumo ao NOVO, deixando a pessoa numa eterna “zona de conforto”, como um feto dentro do útero materno, protegido do que pode acontecer, literalmente com medo.

O poder da visualização real é intensificado com a mente jovial e revigorada, corajosa. A mente sorri a cada passo que a pessoa dá para frente rumo ao desconhecido, àquilo que pode ser. A mente suplica para ser exercitada. Esta é a verdadeira natureza do cérebro. Ser usado e abusado. 

A liberdade vem do esvaziamento das ideias condicionadas, enraizadas, com uma percepção atenta, alerta e constante do que está acontecendo (mente alerta). Inocência é uma virtude da mente clara, da humildade que não pode ser compreendida pela autosufuciêcia dos egomaníacos, bonecos estáticos manipulados por opiniões imutáveis e constantes.

Na vida, eu acredito, é de extrema importancia aprender a ver, a perceber o amor compassivo, a beleza que salvará o mundo nas pequenas coisas. A partir deste “treinamento” que pode levar uma vida inteira mas vale a viajem, existe o processo de renúncia, inerente a qualquer religião que preze pelo amor e paz.

O estado de inocência, ao contrário do que pode parecer, torna a mente madura, capaz de resolver as dificuldades da melhor maneira possível. Por outro lado, uma mente puramente “madura” (condicionada, com pensamentos enraizados em crenças medievais) pode se frustrar por não ter uma resposta ao novo. Eu acredito que uma resposta não é suficiente para lidar com os revezes do mundo, mas um discernimento das situações baseadas em uma teia de pensamentos que geram uma cadeia de novos conceitos que podem resolver situações antes problemáticas.

gatinho-e-menina-sorrindo

Somente a verdade pode tornar a mente livre. Esta liberdade só pode ser encontrada numa mente vazia, no vazio que apaga todo e qualquer julgamento préfabricado e velho que enferruja o criar, entorpece a mente e coloca barreiras na busca pelo NOVO.

O pensar implica em morrer para o conhecido. O Pensar é abastecido pela insatisfação, pelas perguntas e não pelas respostas ( o pensador é um eterno insatisfeito!). Para isto acontecer, é preciso estar sempre atento e vigilante para o que acontece na mente, principalmente nas respostas automáticas baseadas nas memórias vinculadas a conceitos perdidos e envelhecidos pelo tempo.

A partir disso, a liberdade vem da inocência, da re-interpretação das experiências e não da falta delas. Isto torna a mente preparada para a aquisição de novos conhecimentos que construirão novas experiências, evoluindo, cada vez mais poderosa e confiante, clara na sua eterna humildade.

Autor: João Ricardo baseado no texto de J.Krishnamurti de 1967

Nota

reFLEXÃO

Qualquer reflexão aprisiona na superfície que reflete. Assim, se o um se torna capturado. Uma vez refletido, se torna imagem, algo inanimado, sem vida, superficial. Apenas uma ilusão de ótica que ofusca a vida e se perde na imensidão dos signos e significados, incoerentes, infinitos.

Eternamente tenta se libertar da masmorra em que se aprisionou. Superficialidade degenerativa do ser que se torna automaticamenteparecer, aparecer, padece no ver e não quer rever. Uma vez foi o que agora não é. A reflexão vazia de conteúdo é substituída por uma superfície oca, fútil que acredita ser mas já não é desde que escolheu ser refletida, a imagem se dissipa por entre as auréolas distraídas, entre a vacuidade das pupilas dilatadas; colapso, estranhamento do normal.

Tudo então se transforma em miragem, miríades ilusionárias, sórdidas realidades superficiais que não se cansam de tentar me dizer aquilo que não quero ouvir, de ver aquilo que não quero ver, apenas uma reflexão grotesca do real.

Em uma maldição me encontro, preso dentro do objeto que reflete a minha agora desfigurada imagem, desforme e estranha a meus olhos sou e me fiz por escolher. Absurdos que pareciam me levar a um lugar comum.

Fugir agora já não posso, não consigo e por fim não quero pois não posso mais escapar de quem eu sou. Só posso agora me transformar naquilo que um dia eu fui e sou mas nunca ser aquilo que não fui e quero ser.

Só quero outra vez ser.

texto ‘fome de que’

este texto era para ser publicado pelo jornazen em fevereiro e até agora a pessoa responsável não decidiu se vai publicar ou não, então eu estou passando a informação em sua essêcia, sem cortes.

FOME DE QUE?!

Afazeres rotineiros podem tirar a possibilidade de uma carreira de sucesso se erguer. Por este motivo, mais e mais é necessário definir exatamente as metas diárias e focar nelas, para não perdermos tempo precioso com coisas que podem ficar para depois.

Chega um tempo na vida de todo ser humano onde este encara uma pergunta muito importante que poderá mudar o curso de toda uma vida. O que eu realmente quero? Garanto que muitos de nós, com um nível mínimo de consciência, já se fizeram esta pergunta em algum momento. E muitas pessoas descobrem que o que estão fazendo é totalmente o oposto daquilo que na verdade gostariam fazer, mas se encontram inundados em uma rotina a procura de coisas materiais como dinheiro, e se esquecem do que realmente os fazem feliz e do que realmente estão procurando.

É lógico que fazer o que gosta e conseguir se manter financeiramente deve coexistir na mesma medida. Mas a partir do momento que nossa rotina se torna uma busca incessante de fama, dinheiro e bens materiais, achando que a felicidade vem de brinde na compra de um vestido de marca, temos que reavaliar nossas perspectivas e redefinir nossas prioridades. Eu não estou aqui criticando a aquisição de dinheiro e bens materiais, mas eu acredito, por experiência própria que a felicidade vem de dentro para fora, e não de fora para dentro, e está intimamente ligada ao que estamos fazendo neste exato momento, e não ao que estamos comprando.

Muitos autores acreditam que sucesso é fazer aquilo que gosta e felicidade não é sinônimo de status muito menos da quantidade de zeros na conta bancária. Os dois andam lado a lado e um é decorrente do outro. Incontáveis são as histórias de altos executivos que abandonaram altos postos de multinacionais para se aterem àquilo que fazia sentido para eles.

A gratidão alheia pode ser mais valiosa do que uma quantia enorme de dinheiro e vendo o mundo como ele está hoje, cheio de hipocrisia e egocentrismo, nos faz pensar o que realmente queremos. Fazer o que se gosta e conseguir se manter financeiramente é meu último objetivo.

Para encarar a verdade e responder esta pergunta profundamente existencial, requer muita coragem. A questão é definir realmente quais são nossos valores e prioridades. Para alguns autores, sucesso significa excelência no que se faz e satisfação pessoal, ou seja, o que nós somos e fazemos, nossas atitudes virtuosas e verdadeiras e não que temos e compramos. Pessoas são conhecidas pelos seus atos e não pelas suas posses.

Pessoas de relativo sucesso trabalham e trabalharam muito para conseguir chegar a algum lugar através da disciplina e sempre estão querendo aprender mais para aprimorar seus conhecimentos e melhorarem seus talentos, para utilizá-los em benefício próprio e conseqüentemente, dos outros.